O que a "bonitofobia" esconde
- Luanna Pontes

- 30 de jun.
- 3 min de leitura
Esses dias vi um vídeo sobre “bonitofobia”, em pleno 2026 eu não preciso avisar que era meme né? Mas fato é que muitas mulheres relatam que em algum momento da vida elas sofreram algum tipo de retaliação por parte de outras mulheres pelo fato de serem bonitas, isso soa muito engraçado, mas em meados de 2010 eu lembro de pelo menos dois casos de meninas que passaram por situações que tinham a beleza delas como alvo: uma foi agredida no ônibus e a fala da que agrediu era sobre a aparência dela, outro caso foi de uma adolescente que enquanto saía da escola em meio à multidão de alunos, ouviu um barulho de tesoura e era o cabelo lindo e enorme dela que havia sido cortado.
Por outro lado, nós temos as pessoas que falam sobre o privilégio da beleza, dizem que as pessoas consideradas bonitas recebem tratamentos diferentes em diversas situações da vida. O que também soa engraçado por um lado e triste por outro. Eu poderia fingir que isso não existe, mas todo mundo que passa a estudar um pouco sobre moda e comportamento sabe que isso tem um fundo de verdade.
Mas o ponto aqui não é falar sobre a pessoa que sente o “preconceito por ser bonita”, nem sobre o “privilégio da beleza”. Nesse momento eu não vou entrar em detalhes sobre machismo, patriarcado, capitalismo, nada disso, embora tudo isso seja usado como mecanismo nessa máquina de segregar mulheres, não é à toa que grande parte das inseguranças femininas são relacionadas à aparência física. O ponto que vamos falar aqui é sobre inseguranças, que foram e ainda são plantadas nas mulheres desde a infância e a adolescência, e que afetam negativamente elas mesmas e outras mulheres.

Muitas mulheres se limitam pelas inseguranças que possuem, tenho certeza que você conhece alguém que não se permite sentir o frescor da água do mar nos dias quentes de verão, porque acha que não possui o corpo que merece estar na praia. A insegurança muitas vezes gera uma insatisfação consigo mesma e com o outro. Ela leva muitas mulheres a sofrerem de ciúmes de seus parceiros e sentirem medo de serem trocadas ou abandonadas. Às vezes as inseguranças produzem inveja, produzem divisões, produzem indiferenças, produzem solidão. Nos exemplos que citei no início do texto, provavelmente essas atitudes horríveis partiram de inseguranças que as meninas tinham e que elas projetaram nas outras meninas que elas consideravam bonitas.
Hoje quero te encorajar a fazer uma autoanálise, olhe para dentro e identifique suas inseguranças: Elas estão relacionadas à sua aparência? Estão relacionadas ao seu intelecto? Você consegue identificar de onde elas surgem? Existe algo que você pode fazer para reduzi-las? Você tem punido outras pessoas, especialmente outras mulheres pelas suas inseguranças? É sempre muito fácil pensar que o problema são os outros ou as circunstâncias, mas às vezes é preciso olhar para dentro e perceber que existe uma semente ruim brotando aí dentro e que precisa ser arrancada.
Às vezes para tratar isso será necessário ter atitudes de autocuidado, outras vezes a maneira correta será com ajuda profissional, em certos casos tendo conversas difíceis e em outros reajustando as suas percepções. Talvez algumas dessas inseguranças nunca desapareçam por completo, mas é possível não deixar que elas dominem a sua vida e suas atitudes. Limpe essa terra para que boas sementes sejam plantadas.
“que nenhuma raiz de mágoa venenosa brote e vos cause confusão, contaminando muitos.” Hebreus 12.15b
Abraço quentinho,
Luanna Pontes.




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