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A vida real não é aesthetic.

Foto do escritor: Luanna Pontes
Luanna Pontes
17 de set.
3 min de leitura

Aesthetic é o termo usado para descrever imagens bonitas de ver, a foto de um livro com um vaso de flor e uma xícara de café do lado, seria a composição ou ângulos de uma foto que deixam ela mais harmônica e poética, uma forma de retratar ou falsificar a realidade.


Inclusive esse foi o padrão do Instagram nos últimos anos, quando ele deixou de ser um espaço aceitável para o que não é belo ou arrumado. Nessa mesma onda, os estabelecimentos passaram a ser decorados para possibilitar uma foto bonita, a vida foi sendo moldada para parecer aesthetic, só que ela não é.


Todo mundo sabe, mas inconscientemente boa parte das pessoas ignoram isso. A casa onde pessoas moram desarruma, a casa com crianças passa boa parte do tempo com brinquedos por toda a parte, cabelo bagunça, paredes sem pintura existem. Nem tudo é bonito o tempo todo e nem tudo precisa ser bonito.


O algoritmo estendeu a ideia de beleza das coisas para tudo, então a vida de todos precisa parecer perfeita o tempo inteiro, o relacionamento, a casa, o trabalho, os lugares que frequenta, as coisas que compra e até mesmo os sentimentos. E nesse ritmo as pessoas assistem os melhores recortes da vida umas das outras.


Por algum motivo inexplicável nós tornamos o que antes era uma rede de aproximação e conexão em um muro que causa distância, não falamos sobre as experiências uns para os outros porque já mostramos na “rede social”, não usamos essa “rede social” para conversar com pessoas, porque estamos ocupados e cansados demais para isso. O que antes era usado para encontrar semelhantes pouco a pouco se tornou uma rede de conhecidos desconhecidos.



Esses dias li um artigo no Substack com o título “Por que a primeira geração nativa digital está abandonando as redes sociais?” que dizia “3 em 5 jovens Gen Z querem ser menos conectados. São a única geração com uso decrescente de redes sociais desde 2021.” E que “O offline é o novo luxo para os nascidos entre 1996 e 2012”.


Existe um gap muito grande entre quem nasceu em 96 e 2012, mas os de 96 viram redes sociais surgirem e desaparecerem, Orkut, MSN, Snapchat, Pinterest, Google +, VSCO, Facebook, Instagram, Twitter, citei apenas as que eu já tive contato, mas existem outras. A principal mudança de lá para cá, além das redes sociais terem se tornado uma vitrine de negócios, foi a perda de conexão entre as pessoas.


Eu amo fazer fotos aesthetics, meu Instagram e meu Pinterest não me deixam mentir, amo encontrar beleza na vida comum, nós que temos um pé nas artes e/ou comunicação somos um pouco assim, isso piora pois tenho os dois pés nas ciências biológicas, então naturalmente vejo beleza onde os outros não veem. Mas também sinto falta de quando as plataformas digitais eram redes sociais no sentido literal do termo, tento manter o hábito de me interessar de verdade pelas pessoas e pelo que elas desejam compartilhar, mas é impossível fazer isso com 500 pessoas.


Além do mais, confesso que faço parte dessa porcentagem da geração de 96 que tem buscado o analógico ao invés do digital, tenho tentado não perder a minha sensibilidade e atenção, tenho feito o máximo que posso para manter trocas reais e genuínas.


Tenho visto um movimento no próprio Instagram, onde criadores de conteúdo estão tentando influenciar as pessoas a voltarem a usar a rede como ela foi criada para ser, e de fato ainda há quem use, mas sejamos sinceros o algoritmo é cruel e “decide se mostra e para quem mostra”.


Que você se lembre que o problema não é fazer foto aesthetic, é achar que a vida é, quando ela não é, não perca a sua sensibilidade, resgate a sua atenção e faça o que puder para se conectar com pessoas reais.



Também quero indicar essa música, porque acho que ela conversa um pouco com esse texto: Rashid feat Liniker - Ver Em Cores (Audiodrama Oficial) [9/15]


Se você usa o Substack e gosta dos meus textos: Luanna Pontes | Substack


 

Abraço quentinho,

Luanna Pontes

 
 
 

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Luanna Pontes

Olá mundo, meu nome é Luanna Pontes, tenho 28 anos e sou Capixaba. Criei o blog para compartilhar com vocês um pouco do muito que habita em mim.

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